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constelação familiar e o papel das ovelhas negras na família

As chamadas "ovelhas negras" da família são, na verdade, caçadores natos de caminhos de libertação para a árvore genealógica.

Os membros de uma árvore que não se adaptam às normas ou tradições do sistema familiar, aqueles que desde pequenos procuravam constantemente revolucionar as crenças, indo na contramão dos caminhos marcados pelas tradições familiares, aqueles criticados, julgados e mesmo rejeitados, esses, geralmente são os chamados a libertar a árvore de histórias repetitivas que frustram gerações inteiras.

As "ovelhas negras", as que não se adaptam, as que gritam rebeldia, cumprem um papel básico dentro de cada sistema familiar, elas reparam, apanham e criam o novo e desabrocham ramos na árvore genealógica.

Graças a estes membros, as nossas árvores renovam as suas raízes. Sua rebeldia é terra fértil, sua loucura é água que nutre, sua teimosia é novo ar, sua paixão é fogo que volta a acender o coração dos ancestrais.

Incontáveis desejos reprimidos, sonhos não realizados, talentos frustrados de nossos ancestrais se manifestam na rebeldia dessas ovelhas negras procurando realizar-se.

A árvore genealógica, por inércia quererá continuar a manter o curso castrador e tóxico do seu tronco, o que faz a tarefa das nossas ovelhas um trabalho difícil e conflituoso.

No entanto, quem traria novas flores para a nossa árvore se não fosse por elas? Quem criaria novos ramos? Sem elas, os sonhos não realizados daqueles que sustentam a árvore gerações atrás, morreriam enterrados sob as suas próprias raízes.

Que ninguém te faça duvidar de si mesmo, cuide da tua "raridade" como a flor mais preciosa da tua árvore. Tu és o sonho de todos os teus antepassados.

Por Bert Hellinger


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"O caminho para superar a crise como nação é olhar para os fatos excluídos do nosso passado histórico e honrar aqueles que vieram antes."

O alemão Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, e sua esposa Sophie comentaram sobre a crise de nosso país durante o Seminário Internacional de Constelações Familiares em Brasília, em 2016. Para eles, a chave para sairmos disso como nação é olharmos para os fatos obscuros do nosso passado histórico e honrarmos aqueles que vieram antes. Por uma razão simples: tudo aquilo que a gente exclui de nossas vidas nos prende e tudo aquilo que a gente inclui e aceita nos liberta.

Reflita comigo: quais são os fatos negados, ocultados ou ignorados do nosso passado? Uma lista rápida vai incluir necessariamente o genocídio das nações indígenas, a escravatura, as guerras travadas no e pelo Brasil – e contadas pela metade nos livros didáticos (como a Guerra do Contestado e a Guerra do Paraguai) -, as atrocidades da ditadura militar e por aí vai.

O casal Hellinger disse que enquanto a população brasileira também excluir os povos de origem, nosso país continuará a ser ingovernável. Quem são aqueles que vieram primeiro, antes de o Brasil ser instituído como nação soberana? Os índios. E quem veio depois e ajudou a formar o país como conhecemos hoje? Os portugueses e africanos.

Os índios nativos que não se curvaram foram mortos, os que sobreviveram foram “catequizados” e proibidos de seguir suas tradições. Seus descendentes hoje ainda lutam pelo direito de viver em suas próprias terras. Os africanos trazidos à força foram escravizados e seus descendentes ainda carregam a herança do racismo. Mulheres índias e negras foram estupradas e subjugadas pelos homens europeus que aqui chegavam e suas descendentes ainda carregam este trauma e direcionam sua raiva e desprezo aos homens de hoje. Os portugueses sempre foram alvo de chacota e piadas desrespeitosas e são apontados por muitos como a causa da corrupção sistêmica que se instalou atualmente no país.

Como avançar como nação com toda essa exclusão? Dessa forma nós violamos dois dos princípios fundamentais para o desenvolvimento de qualquer sistema: a ordem (hierarquia) e o direito de pertencimento.

Respeitar a ordem dentro de qualquer sistema – uma família, uma empresa ou país – é reconhecer e honrar quem veio primeiro, as raízes. É preciso dar um lugar em nossos corações a todos esses povos, culturas e nações. Afinal, somos quem somos e estamos onde estamos graças àqueles que vieram antes de nós e a tudo o que viveram. Só existe árvore grande e frondosa com raízes fortes e profundas. Caso contrário, o destino é a queda.

Existe uma forma de nos colocar em paz com o nosso passado histórico: olhando e aceitando tudo o que foi, da forma como foi, sem lentes cor de rosa e sem rejeição. Ao adotar essa postura, podemos enfim reconhecer e honrar nossas origens. E ao abrir mão do julgamento, algo mágico acontece. Podemos deixar o passado no passado. Não será mais preciso revivermos aquilo que foi difícil e teremos a força para irmos adiante, em direção ao novo, ao criativo.

Dentro desse olhar sistêmico, compartilho abaixo um exercício que nos leva a olhar para nosso país com mais respeito (contribuição de Idemar Menon).

Pare nesse momento… respire 3 vezes profundamente e vibre:

“Brasil, eu sinto muito por tudo que eu e meus antepassados fizemos com você, me perdoe pela minha inconsciência e de meus antepassados. Eu te agradeço por ser uma terra fértil e abundante de alimento e água, com o melhor clima do mundo, sem desastres naturais e sim só desastres que nós homens produzimos devido a nossa inconsciência, Brasil eu te amo, porque você é o país onde meu espírito escolheu evoluir, e não irei te decepcionar. Brasil amado, perdoe a nossa inconsciência, nós não sabemos o que estamos fazendo”.

Texto: Alice Duarte
Photo: Rodrigo Petrella

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